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Resenhas de livros. |
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Título: Mãe, me ensina a conversar. Autora: Dalva Tabachi Editora: Rocco Dalva é a mãe de Ricardo. Neste emocionante livro ela conta a trajetória percorrida com o Ricardo, desde o nascimento até os dias atuais. Conta como foi o primeiro beijo recebido de seu filho e como foi o percurso até ele se tornar campeão de natação. Dalva aborda aspectos importantes como a dor causada pela discriminação e preconceito e reforça a importância da estrutura familiar nesta jornada. Um livro que inspira coragem e vontade de trabalhar com os nossos autistas sejam eles filhos ou clientes. Carla Gikovate |

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Título: Nascido num dia azul. Autora: Daniel Tammet Editora: Estrela Polar (Portugal) ou Intrínseca (Brasil) Daniel Tammet nasceu em 1979 e é autista. Atualmente é fluente em 11 idiomas e aprende uma língua nova em uma semana. É considerado um gênio da matemática e já participou de inúmeros programas de televisão. Daniel descreve de maneira detalhada e peculiar como processa as informações do mundo, como administra os seus rituais compulsivos e como conseguiu evoluir no transcorrer dos anos em suas habilidades sociais, conquistando amigos e uma vida amorosa. Um livro impressionante e especialmente interessante para os que desejam entender melhor o mundo sob a ótica do portador de autismo. Carla Gikovate |

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Título: O estranho caso do cachorro morto. Autora: Mark Haddon Editora: Recrord O que a maior parte das crianças parece aprender com os outros desde o nascimento sem que se imponham dificuldades, e, por isso, nos parecem óbvias, como brincar com seu grupo, compartilhar interesses e se comunicar habilmente, traz problemas para um certo grupo de pessoas. Por outro lado, memorizar muitos dados ou fazer cálculos complexos, características difíceis para a maior parte de nós, podem ser fáceis para eles. É um representante deste grupo, de indivíduos do espectro autístico, que é o protagonista do livro: “O estranho caso do cachorro morto”. O título, que à primeira vista causa estranheza, tem a ver com a situação que detona o enredo deste delicioso romance policial. O cachorro da vizinha é encontrado morto, a culpa recai sobre Christopher, adolescente que apresenta características da Síndrome de Asperger, um tipo leve de autismo. Resolvido este mal entendido, Christopher resolve bancar o detetive para descobrir o verdadeiro assassino do cachorro, através de sua forma peculiar de “ler” o mundo, o que torna a narrativa especialmente interessante. Os capítulos vão mesclando, a partir daí, os passos de sua investigação a importantes eventos de sua vida, que tendem a convergir à medida que nos aproximamos do final. É incrível perceber como o escritor, que não é especialista, mas se preocupou em fazer estágio em instituições especializadas, conseguiu captar o estilo cognitivo desses indivíduos, atribuindo ao protagonista características das Desordens do Espectro Autístico com bastante propriedade. Um ponto que chama a atenção na construção da personagem é a presença de “ilhas de capacidade”, relacionadas aos interesses restritos, como a habilidade de memorização e a facilidade com cálculos matemáticos. A falta de flexibilidade também está presente em todos os comportamentos. A dificuldade na comunicação verbal e não verbal é igualmente observada em diversas situações no livro, sendo destacada a pouca compreensão de estruturas não literais. A dificuldade na interação social, por fim, permeia todo o comportamento de Christopher. A leitura é fluida e parece despertar o interesse de todos os tipos de leitores. Apesar de cumprir o papel de divulgar certas características do espectro autístico, o objetivo maior parece ser de fato o prazer da leitura. Não é por acaso que já fez tanto sucesso em vários países. Por se tratar de uma ficção, não apresenta um compromisso científico, pois há liberdade de criação. Mas os cuidados com estes aspectos ficam claros em algumas descrições do comportamento da personagem principal, nos permitindo viver um pouco do seu dia a dia. A obra ensina, distrai e nos faz repensar as diferenças. Renata Mousinho Professora adjunta da Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFRJ. O tema de sua tese de doutorado em Lingüística pela UFRJ foi “Aspectos Lingüístico-cognitivos da Síndrome de Asperger”, que abordou a dificuldade de compreensão da linguagem figurada através da Lingüística Sociocognitiva. |
Dra. Carla Gikovate |
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Médica — Neurologista infantil — Mestre em psicologia Especialista em educação especial inclusiva |